Diversos são os mistérios e indagações que envolvem a vida e afligem o ser humano: a origem do universo, o céu e a terra, a natureza e as estações do ano, a vida e a morte, o tempo, o início e o fim. Tudo isso representa enigmas que precisam ser desvendados e diante do impasse de nem sempre encontrar respostas satisfatórias para tudo, o homem, cria meios para solucionar seus anseios.
A indagação humana que representa o anseio de encontrar um sentido para a vida diante do grande mistério que é a existência leva o homem a buscar um ‘sentido absoluto’ que o envolva e, sobretudo, ultrapassa os horizontes humano dando um novo significado à vida. Um significado absoluto, que nasce no interior do próprio homem, mas que se concretiza, num ‘ser’ absolutamente distinto a ele.
Denominado por “Deus”, “Alá”, “Javé”, entre outros, conforme a cultura, esse ‘Ser Absoluto’ tanto fascina e acolhe o homem, quanto provoca temor e mistério e é, justamente, pelo intuito de realizar o desejo de estabelecer uma relação com Ele que se deu origem à religião. Etimologicamente a religião significa re-ligar, ligar novamente a algo que foi separado, mas, sobretudo, para o homem de fé ela significa princípio pelo qual todas as coisas existem e motivo maior de sua própria existência.
Em todas as tradições religiosas diversas são as formas do homem estabelecer essa relação: Ritos, símbolos, cantos, danças, celebrações, orações. Essas expressões traduzem a experiência humana e apontam para a existência de um Criador, que, numa doação gratuita e amorosa oferta a todos os seres humanos o ‘dom da vida’.
Assim, a religião faz conexão entre o homem e Deus. Segundo o filósofo Hegel, ao refletir sobre si mesmo, o ser humano engloba a essência do existir e toda a realidade até alcançar a totalidade: o “Ser Absoluto”, i.e., o “Ser de Deus” e por isso somente através da religião Ele é conhecível.
Diante de todas essas observações é possível entender que a religião é o elo que o homem encontrou para refletir sobre si e o sentido de sua vida atenuando os anseios que o afligem diante de tanto mistério. Como já afirmava o filósofo Sócrates na antiguidade “uma vida sem reflexão não merece ser vivida”, alertando-nos para sua nulidade diante do vazio existencial da falta de sentido que o ato de refletir pode preencher e torná-la bela de se viver.
BIBLIOGRAFIA:
HEGEL, G. W. F. Lecciones sobre filosofia de La religión. Madrid: Alianza Editorial, 1984.
MONTEIRO, Eduardo José Machado; GUIMARÃES, Edward Neves M. de Barros; SOARES, Rosana de Cássia; PESSUTTI, Sandro Márcio. Ensino Religioso, ensino médio. Belo Horizonte: PAX Editora, 2010.

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