terça-feira, 30 de agosto de 2011

Religião e a busca humana pelo sentido da vida



Diversos são os mistérios e indagações que envolvem a vida e afligem o ser humano: a origem do universo, o céu e a terra, a natureza e as estações do ano, a vida e a morte, o tempo, o início e o fim. Tudo isso representa enigmas que precisam ser desvendados e diante do impasse de nem sempre encontrar respostas satisfatórias para tudo, o homem, cria meios para solucionar seus anseios.

A indagação humana que representa o anseio de encontrar um sentido para a vida diante do grande mistério que é a existência leva o homem a buscar um ‘sentido absoluto’ que o envolva e, sobretudo, ultrapassa os horizontes humano dando um novo significado à vida. Um significado absoluto, que nasce no interior do próprio homem, mas que se concretiza, num ‘ser’ absolutamente distinto a ele.

Denominado por “Deus”, “Alá”, “Javé”, entre outros, conforme a cultura, esse ‘Ser Absoluto’ tanto fascina e acolhe o homem, quanto provoca temor e mistério e é, justamente, pelo intuito de realizar o desejo de estabelecer uma relação com Ele que se deu origem à religião. Etimologicamente a religião significa re-ligar, ligar novamente a algo que foi separado, mas, sobretudo, para o homem de fé ela significa princípio pelo qual todas as coisas existem e motivo maior de sua própria existência.

Em todas as tradições religiosas diversas são as formas do homem estabelecer essa relação: Ritos, símbolos, cantos, danças, celebrações, orações. Essas expressões traduzem a experiência humana e apontam para a existência de um Criador, que, numa doação gratuita e amorosa oferta a todos os seres humanos o ‘dom da vida’.

Assim, a religião faz conexão entre o homem e Deus. Segundo o filósofo Hegel, ao refletir sobre si mesmo, o ser humano engloba a essência do existir e toda a realidade até alcançar a totalidade: o “Ser Absoluto”, i.e., o “Ser de Deus” e por isso somente através da religião Ele é conhecível.

Diante de todas essas observações é possível entender que a religião é o elo que o homem encontrou para refletir sobre si e o sentido de sua vida atenuando os anseios que o afligem diante de tanto mistério. Como já afirmava o filósofo Sócrates na antiguidade “uma vida sem reflexão não merece ser vivida”, alertando-nos para sua nulidade diante do vazio existencial da falta de sentido que o ato de refletir pode preencher e torná-la bela de se viver.






BIBLIOGRAFIA:

HEGEL, G. W. F. Lecciones sobre filosofia de La religión. Madrid: Alianza Editorial, 1984.

MONTEIRO, Eduardo José Machado; GUIMARÃES, Edward Neves M. de Barros; SOARES, Rosana de Cássia; PESSUTTI, Sandro Márcio. Ensino Religioso, ensino médio. Belo Horizonte: PAX Editora, 2010.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

LIVRO: Repassando conhecimentos, sabedoria e amor.

A capacidade intelectual é uma característica humana decorrente de uma evolução gradativa de nosso cérebro. Graças a essa evolução e essa capacidade o ser humano desenvolveu meios de comunicação para transmitir a outros seres humanos seus sentimentos, conhecimentos e pensamentos.

A comunicação acontece através de símbolos verbais e escritos que auxiliam o homem a se relacionar com outro individuo e a deixar registrado conhecimentos e fatos históricos para outras gerações.
Para garantir tais registros o homem teve a notável ideia de criar o livro. Ele desempenha um importante papel na história e é fundamental para o desenvolvimento das sociedades, para a evolução cultural e para o contínuo crescimento intelectual do indivíduo. Na atualidade o livro, impresso ou virtual, auxilia na educação, na disseminação do conhecimento adquirido em uma mesma geração e para repassar às gerações futuras todo o conhecimento adquirido no decorrer dos séculos, contribuindo, assim, para o crescimento intelectual e aprimoramento do conhecimento anterior. Por isso, ao livro, é designado o processo de transformação do individuo, com ele o ser humano desenvolve sua capacidade crítica e criativa contribuindo com aprimoramento da linguagem e comunicação social.
Por sua capacidade de manter registradas informações e transmitir conhecimentos é que o livro ganhou importância para as diversas religiões existentes no mundo, pois através dele as tradições, leis e ensinamentos sagrados são mantidos e repassados de geração em geração. Podemos citar como exemplos os Hebreus, que a partir de um conjunto de livros conhecidos como Pentateuco, formaram as bases do cristianismo ocidental. É valido lembrar ainda sobre o alcorão que mantém viva os ensinamentos do líder Maomé.
A esses escritos é denominado ‘Livros Sagrados’. É assim, graças ao conjunto de obras escritas e organizadas em livros, que várias religiões transmitem suas crenças por séculos e conservam um legado cultural para as civilizações posteriores.
Os escritos das tradições religiosas trazem belas histórias da vida cotidiana, revelam o sentido transcendente da existência e ensinam a viver esse sentido na vida garantindo às gerações futuras a lembrança dos acontecimentos mais marcantes, orações, doutrinas ou normas das religiões com o objetivo de manter registrada com grande fidelidade a mensagem revelada pelo Transcendente e anunciada pelos lideres ou grupos religiosos para os povos.
Na maioria das vezes, antes de ser uma história escrita, o conteúdo dos livros sagrados foi uma história vivida, ou seja, verídica. A preocupação em escrever essa história está em recordar o que se viveu no passado e em mantê-la como fonte de ensinamento para as gerações futuras conservando a história de um povo, sua cultura e religião. Os livros sagrados são como uma memória para as pessoas e, nele, há coleções de textos distribuídos em diversos gêneros literários, tais como: história, biografia, leis, poesias, parábolas, cartas, provérbios, orações, que se referem ao conteúdo que constitui a doutrina e os fundamentos da tradição religiosa.
Cada tradição religiosa possui o seu livro sagrado, e cada um tem nome e conteúdo próprio. Esses livros, para os fiéis, são verdades reveladas, fontes de sabedoria e orientação que ajudam o ser humano em sua vida por meio de normas, preceitos e doutrinas que lhes indicam como proceder e ser fiel a Deus. Os textos sagrados, além de orientar a vida individual, são também dirigidos para as comunidades religiosas que podem dessa forma experimentar em suas vidas o poder sagrado dessas palavras capaz de levar a todos força e amor para os que nela crêem.

Referências Bibliográficas:
Revista Cérebro e Mente. O que nos faz unicamente humanos? Disponível em: <http://www.cerebromente.org.br/n10/editorial-n10.htm> Acesso em 05/08/2011

Blog Cidadão do mundo. Os Livros Sagrados da Humanidade – porque estes livros nos emocionam? Disponível em: <http://www.cidadaodomundo.org/?page_id=59> Acesso em 05/08/2011.

Blog o mundo que lê. A importância do Livro na sociedade atual. Disponível em: <http://vestibuler.blogspot.com/2009/05/importancia-do-livro-na-sociedade-atual.html> Acesso em 05/08/2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

A ARTE DA AFETIVIDADE


Rose Figueiredo

Nosso mundo é complexo e diverso. Basta um simples olhar para percebermos que a natureza é composta por uma rica diversidade de seres, onde cada um possui característica e essência própria, sejam eles vivos ou inanimados, racionais ou irracionais.
O homem, integrante da natureza, participa desse fenômeno e carrega em si a singularidade apesar de viver num mundo plural. Embora possa haver semelhanças entre pessoas, sempre haverá algo que os diferenciam um do outro. Essa característica exerce fascínio aos olhos de um bom observador que tem a sutileza de enxergar a beleza expressa na diversidade que nos cerca, mas que conserva ao ser humano a capacidade de ser único.
A diversidade é um fato natural e torna o nosso mundo belo, rico e variado. Reconhecer essa característica anula o desejo de querer que todos sejam iguais, evita amordaçar o viver e limitar a criatividade enquanto amplia os horizontes para vivenciar o novo, aceitando as diferenças. Reconhecer a diversidade como fato natural propicia o ser humano transpor fronteiras exercendo a compreensão e aceitação de outros modos de vidas e maneiras de pensar, sejam elas determinadas por traços culturais, religiosos ou filosofias de vida.
Esse é um desafio proporcionado pela vida: ‘aprender a conviver com o diferente sem prejudicar a unidade do todo’, ou seja, reconhecer a alteridade do outro na relação interpessoal para uma boa convivência. Essa prática é evidenciada pelo filósofo Lévinas que propõe sairmos de nós mesmos ao encontro do outro, de forma que possamos reconhecer que o outro é diferente e possuidor de direitos. Procurar conviver harmoniosamente com as diferenças é cultivar a arte da afetividade.
Respeitar e valorizar o outro são atitudes de amor que podem ser exercitadas por meio do diálogo, da reflexão e do estudo, a favor da promoção do bem, superação de preconceitos e mudanças de valores. Tais atitudes proporcionam um crescimento pessoal melhorando o modo de ser, de pensar e de agir em relação a nós mesmos e aos outros,o que significa que, aprendendo a apreciar e respeitar a singularidade do outro podemos entender a pluralidade cultural, a diversidade religiosa e a infinita riqueza da capacidade humana, conservando a nossa identidade original, seja ela pessoal, cultural ou religiosa.
Ir ao encontro do outro, seja ele pessoa, grupo étnico ou religioso, e aprender olhá-lo com respeito e afeto coloca-me frente a frente comigo mesmo fortalecendo minha identidade e aflorando os sentidos mais humanos existente em mim. Essa é a riqueza da diversidade e a beleza do mundo plural que só podem ser sentido por meio da prática afetiva como afirma Rubem Alves, o belo é impossível descrever, nos é permitido somente senti-lo.


Referências Bibliográficas:

Alteridade e ética: obra comemorativa dos 100 anos de nascimento de Emmanuel Levinas. Porto Alegre: Edipucrs, 2008.
ALVES, Rubem Azevedo. O enigma da Religião. Campinas: Papirus Editora, 1988.
LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e infinito. Lisboa: Edições 70, 1988.
pt.scribd.com. Plano de aula: Colégio Regina Mundi. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/56229604/Plano-de-Aula-Religiao-Ok> Acesso em 19/07/2011.