terça-feira, 26 de julho de 2011

A ARTE DA AFETIVIDADE


Rose Figueiredo

Nosso mundo é complexo e diverso. Basta um simples olhar para percebermos que a natureza é composta por uma rica diversidade de seres, onde cada um possui característica e essência própria, sejam eles vivos ou inanimados, racionais ou irracionais.
O homem, integrante da natureza, participa desse fenômeno e carrega em si a singularidade apesar de viver num mundo plural. Embora possa haver semelhanças entre pessoas, sempre haverá algo que os diferenciam um do outro. Essa característica exerce fascínio aos olhos de um bom observador que tem a sutileza de enxergar a beleza expressa na diversidade que nos cerca, mas que conserva ao ser humano a capacidade de ser único.
A diversidade é um fato natural e torna o nosso mundo belo, rico e variado. Reconhecer essa característica anula o desejo de querer que todos sejam iguais, evita amordaçar o viver e limitar a criatividade enquanto amplia os horizontes para vivenciar o novo, aceitando as diferenças. Reconhecer a diversidade como fato natural propicia o ser humano transpor fronteiras exercendo a compreensão e aceitação de outros modos de vidas e maneiras de pensar, sejam elas determinadas por traços culturais, religiosos ou filosofias de vida.
Esse é um desafio proporcionado pela vida: ‘aprender a conviver com o diferente sem prejudicar a unidade do todo’, ou seja, reconhecer a alteridade do outro na relação interpessoal para uma boa convivência. Essa prática é evidenciada pelo filósofo Lévinas que propõe sairmos de nós mesmos ao encontro do outro, de forma que possamos reconhecer que o outro é diferente e possuidor de direitos. Procurar conviver harmoniosamente com as diferenças é cultivar a arte da afetividade.
Respeitar e valorizar o outro são atitudes de amor que podem ser exercitadas por meio do diálogo, da reflexão e do estudo, a favor da promoção do bem, superação de preconceitos e mudanças de valores. Tais atitudes proporcionam um crescimento pessoal melhorando o modo de ser, de pensar e de agir em relação a nós mesmos e aos outros,o que significa que, aprendendo a apreciar e respeitar a singularidade do outro podemos entender a pluralidade cultural, a diversidade religiosa e a infinita riqueza da capacidade humana, conservando a nossa identidade original, seja ela pessoal, cultural ou religiosa.
Ir ao encontro do outro, seja ele pessoa, grupo étnico ou religioso, e aprender olhá-lo com respeito e afeto coloca-me frente a frente comigo mesmo fortalecendo minha identidade e aflorando os sentidos mais humanos existente em mim. Essa é a riqueza da diversidade e a beleza do mundo plural que só podem ser sentido por meio da prática afetiva como afirma Rubem Alves, o belo é impossível descrever, nos é permitido somente senti-lo.


Referências Bibliográficas:

Alteridade e ética: obra comemorativa dos 100 anos de nascimento de Emmanuel Levinas. Porto Alegre: Edipucrs, 2008.
ALVES, Rubem Azevedo. O enigma da Religião. Campinas: Papirus Editora, 1988.
LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e infinito. Lisboa: Edições 70, 1988.
pt.scribd.com. Plano de aula: Colégio Regina Mundi. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/56229604/Plano-de-Aula-Religiao-Ok> Acesso em 19/07/2011.

3 comentários:

  1. Interessante visão da diversidade, certamente que a multiplicidade do todo é que dá a unicidade de cada um, como já disse o filósofo de ombros largos. Sinceramente comungo da mesma visão da autora, e parabenizo pela eloquência simples, clara e verdadeira.

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  2. Assino embaixo Rose. Infelizmente a maioria dos conflitos humanos devem-se à incapacidade da compreensão que você teve. Um exemplo atual é a polêmica a respeito da união estável entre homossexuais. No entanto acredito que devemos continuar a bater nessa tecla para que as gerações futuras não apenas deixem de ser intolerantes e passem a tolerar, mas sim, a respeitar a diversidade.

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  3. Beleza Rose, fico feliz de ver uma amiga com idéias tão bem posicionadas. Este seu flerte nós outros chamamos de pluralidade das existências e dando a certeza de que Deus é realmente muito sábio.Beijão e sucesso!

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